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A força do destino

Certa vez, um comandante de exército estava prestes a travar uma batalha com outro exército muito mais numeroso do que o seu. Ele conhecia bem os seus homens, mas também sabia das dificuldades. Os soldados estavam desanimados e apavorados com a superioridade inimiga. O comandante convocou o exército e disse que iria meditar e rezar, antes de tomar uma decisão. Depois de algum tempo, quando todos estava na expectativa, o comandante falou assim: “Ouçam bem a inspiração que eu tive. Aqui tenho uma moeda. Se sair cara, é porque o destino nos reserva uma vitória gloriosa, e então podemos combater sem medo. Se sair coroa, é porque não temos chances de vencer. Então será melhor desistir. Jogou a moeda para o alto e saiu cara. Os soldados ficaram entusiasmados com o presságio e foram à luta cheios de confiança. Apesar da desvantagem numérica, venceram os inimigos. Ao final, festejaram alegres a conquista. Um dos soldados aproximou-se do comandante e comentou orgulhoso: “Ninguém pode mudar a força do destino”. O comandante sorriu e lançou novamente a moeda ao ar. Saiu cara. Lançou de novo e saiu cara de novo. Mostrou então a moeda ao soldado: os dois lados eram iguais.

No evangelho deste Sexto Domingo do Tempo comum, após a chamada dos primeiros discípulos na beira do lago de Genesaré, o evangelista Lucas começa a explicar em que consiste a “Boa Notícia”, que Jesus veio anunciar aos pobres. Ele nos apresentada as “bem-aventuranças”. São diferentes daquelas do evangelho de Mateus, não só pelas palavras e pelo número, mas também porque são acompanhas por quatro “ais”. Logo, aparecem claros os opostos. De um lado: os pobres, os que estão com fome, os que choram e os que são odiados por causa do Filho do Homem. Do outro: os ricos, os saciados, os que riem e os que são elogiados por todos. Para Jesus os sofredores, os que são considerados perdedores aos olhos do mundo, são “bem-aventurados”. Os satisfeitos da vida, ao contrário, são alertados a não se deixar enganar e iludir. A verdadeira felicidade pode estar na pobreza e nas perseguições. Não depende da riqueza, do sucesso humano, dos aplausos. Jesus não ameaça e nem amedronta ninguém. O medo não resolve. Ele consola e dá esperança aos pobres e aos pequenos desprezados, mas também tem compaixão dos grandes, porque estão errando tudo: trocam o verdadeiro bem com os “bens” passageiros deste mundo.

Nós já sabemos que o verdadeiro bem é o amor de Deus e dos irmãos. A cobiça das riquezas gera as guerras. O medo de passar fome produz o acúmulo e o desperdício dos alimentos em lugar da partilha e da solidariedade. O sucesso e o poder geram ódio e disputas. Ninguém inveja o pobre, quem passa fome, quem chora e quem é amaldiçoado. Todos nós invejamos os ricos, os gozadores da vida, os que esbanjam, as estrelas da fama e dos holofotes. É Jesus que está visivelmente equivocado ou somos nós que ainda não entendemos o “hoje” da profecia de Isaías, proclamada por ele na Sinagoga de Nazaré? A felicidade que Jesus anuncia não é para poucos, é para todos, a começar pelos pequenos. É um conjunto de novos relacionamentos onde as diferenças, de todo tipo, não distinguem ou privilegiam, mas são colocadas a serviço do bem comum, da verdade, da justiça, da paz, da convivência respeitosa da vida e da dignidade de todos. Jesus anuncia uma nova “fraternidade”, aquela dos filhos do mesmo Pai Divino, que ama a todos e a propõe como alegria verdadeira para todos. A festa somente para alguns, não é a festa de Deus, não é a festa do amor. Esse é o projeto do Pai amoroso que Jesus veio nos fazer conhecer. Quem consegue imaginar uma sociedade sem muros, sem cercas, sem armas, aquelas visíveis ou bem escondidas em nossos corações? Poucos sonhadores? Ou profetas de um mundo novo? Não tem destino e nem sorte. Jesus não tem um plano B. Só tem uma cara: a garantia da força do Espírito, até o fim dos tempos. O amor vencerá.

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

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