Acesso Rápido

Artigo de Dom Pedro: Jesus vai chegar!

Certo dia um homem soube que Jesus estava para visitar a sua casa. – Virá mesmo ter comigo? Na minha casa? – pensou. E ficou preocupado. Correu para cá e para lá nos quartos, na cozinha, no quintal. Subiu até o telhado para conferir. Reparou as coisas com outros olhos. Tudo estava sujo, desarrumado, feio, cheio de bugigangas inúteis. – Falta até o ar – disse. Mas não desanimou. Abriu portas e janelas e começou a maior faxina da sua vida. No meio da nuvem de poeira, que logo se levantou, apareceu uma pessoa para ajudá-lo. Era tanto trabalho que não tiveram nem tempo para conversar, mas em dois tudo era mais fácil. Jogaram fora muitas coisas velhas, amontoaram e queimaram uma montanha de lixo. Esfregaram os pisos, limparam os vidros das janelas, descobriram ninhos de baratas e esconderijo de ratos. O homem dizia: – Nunca vamos acabar –. O outro respondia: – Falta pouco! – Trabalharam sem parar o dia inteiro. Aos poucos, finalmente, a casa brilhava; parecia nova. Já estava anoitecendo quando os dois, exaustos, foram para a cozinha e arrumaram a mesa. – Agora Jesus pode vir – disse o homem suspirando – – Eu já estou aqui – respondeu o outro – Senta-te à mesa e janta comigo! -.

A página dos discípulos de Emaús, que encontramos neste terceiro Domingo de Páscoa é bem conhecida. Para o evangelista Lucas ainda é o “primeiro dia da semana” – o dia da Ressurreição – um dia tão longo que nunca parece acabar. Chega a noite, mas ainda tem tempo para voltar a Jerusalém, encontrar os Onze reunidos e contar o que tinha acontecido. Tem a arte do narrador naquelas palavras cheias de tristeza e alegria, desânimo e ardor, cansaço e energia, mistério e revelação. Um resumo da experiência do caminho a ser feito por todo discípulo. Por nós também, se queremos sair da tentação da desistência e das nossas obstinadas e inúteis explicações. Não tenho dúvida que a maior dificuldade para entender a alegre notícia do Evangelho esteja em nossas “ideias”, na nossa pretensão de explicar tudo, de encaixar Deus e o seu agir em nossos raciocínios limitados e, na maioria das vezes, preconceituosos. É o famoso: “Nós esperávamos” dos dois discípulos de Emaús. Em resposta Jesus lhes diz que eram “sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram”.

Paradoxo, em tempos de bombas “superinteligentes”, nós continuamos fechados, sem o desejo e a disponibilidade para entender as palavras de Jesus. Ele sempre tem a paciência de explicar de novo, de fazer arder o coração de quem lhe presta atenção. Mas nós continuamos distraídos; caminhamos na vida que passa sem meta segura, atraídos por promessas de bens individuais e passageiros, fascinados por ilusões egoístas. Tudo isso é muito diferente daquilo que Jesus ensinou e praticou com a sua vida e a sua morte na cruz. Ele tornou visível a misericórdia do Pai, a sua bondade, sem exclusões, com mais atenção aos pequenos, aos doentes, aos sofredores. Não disputou com os grandes, os poderosos; os chamou de mandões, opressores e raposas. Entre os discípulos dele não deve ser assim. O único “poder” é o serviço, é lavar os pés uns aos outros, como ele, “o Mestre e Senhor” fez. A fraternidade do Evangelho é outra maneira de viver, de organizar a convivência social, a economia, a política, a paz entre os povos. A estrada é longa e cheia de obstáculos, mas Jesus caminha conosco. Não nos deixa, até reconhecê-lo no gesto da partilha, da vida doada, do sangue derramado. É a Eucaristia, a memória do seu amor total. Assim os dois discípulos retomam coragem, o coração, agora, vibra de entusiasmo, sabem o que devem dizer e fazer. São outras pessoas.

Ao longo daquele caminho, foi necessária uma grande “limpeza”: na vida, nas ideias, nas expectativas deles. Jesus ajudou, sem alarde, desconhecido, trabalhando junto, amigo. A casa ficou limpa. O jantar uma festa. Só uma história? Como aquela dos discípulos de Emaús ou o fadigoso “trabalho” de todos nós? Quem não tem algo para jogar fora? É lixo, não serve para nada. Faça uma fogueira. Não tenha medo. Jesus ajuda.        

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá                                                         

COMPARTILHE

Sobre santuario

Santuário Nossa Senhora de Fátima. Av. Almirante Barroso 1363 Cep.: 68900.040 - Santa Rita Contato: (96) 3222-0963/ (96) 99146-2700 Email: santuarionsfatima.mcp@hotmail.com

Comente

Seu email nao sera publicado. Campos marcados so obrigatorios *

*

x

Checado

Materiais da CFE 2021 já começam a ser oferecidos pelas Edições CNBB

Já estão disponíveis alguns dos materiais da Campanha da Fraternidade ...